
Mano Menezes pode tirar o restante do ano para curtir as férias se quiser. Com a conquista do
Campeonato Paulista invicto, neste domingo, sobre o
Santos , o treinador do
Corinthians mantém a ótima média de um título por ano desde 2005. Mas, desta vez, com um sabor especial. Além de provar a qualidade de uma equipe que vinha do título da Série B, o treinador precisou também conviver com adversidades fora do campo, como a noitada de Ronaldo em Presidente Prudente, que culminou na demissão do diretor-técnico Antônio Carlos Zago.
Campeão da seletiva da Copa Sul-Minas e da primeira fase do Gauchão de 2002 (os grandes clubes só entraram nas finais), Mano voltou a conquistar títulos em 2005, na dramática campanha do Grêmio na Série B. Em seguida, não parou mais. Foi bicampeão estadual em 2006 e 2007 e levantou a taça da Segundona do Brasileiro, em 2008, pelo Timão.
A temporada 2009 começou agitada. Ainda em dezembro, já com o caneco da Segundona assegurado, a diretoria anunciou a contratação do Fenômeno. Na ocasião, um reforço que misturava a empolgação da torcida com a dúvida sobre a recuperação depois de mais uma séria lesão no joelho esquerdo.
- Nenhum treinador de time brasileiro, em sã consciência, indicaria um atleta como o Ronaldo. Imaginei que fosse mais um sonho. Mas não tenha dúvidas sobre quem escala o Corinthians - afirmou o treinador, na ocasião, referindo-se a uma possível interferência do departamento de marketing na formação da equipe.
Em março, Ronaldo trouxe o primeiro problema para o treinador resolver. Na companhia do diretor-técnico Antônio Carlos Zago, o jogador abusou da farra em Presidente Prudente e só apareceu no hotel no qual a delegação estava concentrada às 5h (o horário limite era 23h). Para acabar com o caso, o treinador, nos bastidores, exigiu do presidente Andrés Sanches a demissão de Zago que, dias depois, anunciou que estava deixando o cargo.
O clima, aliás, já não andava dos melhores entre os dois. Antônio Carlos queria a compra dos direitos do atacante Herrera, destaque na Série B, e do zagueiro Domingos, do Santos. Mano preferia Souza, ex-Flamengo, e Jean, do Grêmio. O treinador venceu a queda-de-braço, trouxe os atletas, mas eles pouco renderam até agora.
- Não cabe ao treinador discutir a atitude dos dirigentes. Todo mundo é maduro o suficiente para saber quando as coisas devem continuar ou não - disse Mano.
Mano orienta o Fenômeno nos treinos
No mesmo mês, o treinador conseguiu vencer seu primeiro clássico pelo Alvinegro. Depois de empates contra São Paulo e Palmeiras, derrotou o Santos por 1 a 0, no Pacaembu. O resultado colocou o Timão mais próximo da classificação para a segunda fase mesmo não jogando o futebol esperando pela torcida.
- Foi muito bom vencer o clássico, foram pontos importantes que conquistamos, mas não mudou nada na minha vida. Eu acredito muito no trabalho, e não adianta nada a vitória sobre o Santos se não formos campeões - admitiu.
Nas semifinais, Mano travou um duelo particular com o amigo Muricy Ramalho, do São Paulo. Venceu os dois jogos, levou o Timão à decisão e não perdeu a chance de alfinetar o treinador adversário, que havia dito que Palmeiras e Tricolor seriam os finalistas. A atitude criou até um clima ruim entre eles, que se aproximaram bastante quando dirigiam Grêmio e Internacional.
- A bola de cristal dele (Muricy) rachou ontem (vitória do Santos) e quebrou - provocou.
Enfrentar o Santos nas finais parecia ser mais difícil do que foi. Na Vila Belmiro, Ronaldo deu espetáculo ao marcar dois golaços. No Pacaembu, mais um triunfo do Corinthians.
- No ano passado, me perguntavam muito se esse time não era de Série B e se teria condições de enfrentar times melhores - ironizou Mano.
(Comentário Pessoal: Tomara que não seja só um ! ! !)