domingo, 3 de maio de 2009

'Professor' e 'gordinho', Ronaldo espera chamada de Dunga como um soldado

Mesmo com toda a festa dos jogadores do Corinthians no palco do Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulista, Ronaldo conseguiu arrumar um tempinho para entrar ao vivo no "Domingão do Faustão", da TV Globo. O atacante ressaltou a felicidade com o título do Paulistão e se colocou à disposição do técnico Dunga para servir à seleção brasileira .

- Meu objetivo é jogar pelo Corinthians e fazer o melhor. Seleção não é minha escolha, porque se dependesse de mim já estaria lá. Sou um soldado na reserva esperando um chamado, um comando. A vida toda defendi a seleção, é um orgulho ser um soldado brasileiro. Continuo um exemplo de superação, um guerreiro que se levanta por muito tempo - ressaltou o atacante.

Ronaldo também brincou com o apresentador e amigo Fausto Silva, dizendo que faz parte do time dos gordinhos e pedindo uma pizza de alface e rúcula. E pegou no pé de Vampeta, que participava do quadro "Dança dos Famosos".

- Vou tentar sair correndo daqui para ver o Vampeta em casa, porque tudo que ele sabe de dança fui eu que ensinei - brincou o jogador.

Sobre o futuro, Ronaldo deixou no ar a indefinição. Ele tem contrato com o Corinthians até dezembro, e ainda não declarou se segue jogando depois disso.

- Você (Faustão) sabe o quanto é difícil a nossa rotina. Você está há 20 anos no ar e eu há 16 anos jogando. É uma carreira longa e intensa, todo fim de semana tem uma batalha, é preciso matar um leão por dia para sobreviver e o time ser vencedor. A expectativa é continuar assim, até quando não sei, até quando tiver tesão - completou o Fenômeno.

Ronaldo dá banho de champanhe na torcida em festa popular na capital

Depois de garantir o título paulista no Pacaembu com um empate com o Santos por 1 a 1, o elenco do Corinthians foi para o Campo de Bagatelle, na zona norte da capital paulista, local de concentração dos torcedores que não puderam ir ao estádio para acompanhar a partida. A festa foi completa: os jogadores subiram ao palco montado na praça e cantaram o hino do clube com os torcedores. Ronaldo não perdeu a oportunidade de dividir a alegria com todos os presentes e estourou uma garrafa de champanhe só para jogar a bebida sobre a torcida eufórica, e acabou atingindo também os fotógrafos que tentavam clicar a cena.

Andrés Sanches, presidente corintiano, mais uma vez ressaltou a importância de o Corinthians ter Ronaldo no elenco. E destacou a presença de todos os jogadores no Campo de Bagatelle, em celebração com torcedores.

- Trazer o Ronaldo e todo o elenco para uma festa popular como essa é algo difícil, mas eles entenderam e vieram comemorar com a torcida - destacou o mandatário.

Dunga ouve pedidos de corintianos, mas se esquiva de perguntas sobre Ronaldo

Na tumultuada saída do técnico da seleção brasileira do estádio do Pacaembu, após ver o título do Corinthians sobre o Santos com um empate em 1 a 1, pelo Campeonato Paulista, Dunga ouviu pedidos inusitadas dos torcedores corintianos, mas evitou falar sobre o retorno do atacante Ronaldo para a seleção brasileira.

- Ele foi bem como todos os outros jogadores. É campeão mundial e pode voltar à seleção – limitou-se a dizer Dunga.
Enquanto se encaminhava para deixar o estádio paulistano, Dunga ouviu de torcedores, além de apelos por Ronaldo, pedidos por Elias e até mesmo Diego, substituto de Chicão na partida, para que fossem convocados, tamanha era a euforia.

Além de ser comedido nas palavras sobre o Fenômeno, Dunga também elogiou a estrutura do estádio paulista, que recebeu mais de 36 mil torcedores na tarde deste domingo.

- Foi um bom jogo, o Pacaembu tem um estrutura muito boa e a torcida está de parabéns – finalizou.

Homem mais feliz do mundo, Ronaldo vibra, mas critica organização da festa

Com oito gols, Ronaldo foi, ao lado de Chicão, artilheiro do Corinthians no Paulistão . O título veio neste domingo, no empate por 1 a 1 com o Santos , no Pacaembu. Mas o Fenômeno não comemorou como gostaria. Deixou o gramado por causa da confusão provocada pela grande quantidade de pessoas no local e não deu a volta olímpica com o elenco. Em coletiva após a conquista, o camisa 9 criticou a organização da partida, ressaltou o susto vivido por William , reclamou do assédio dos repórteres no campo, agradeceu pelo apoio da torcida, ressaltou a identificação com o povo brasileiro e se declarou o homem mais feliz do mundo. Confira os principais trechos da entrevista do atacante campeão.

Susto com fogo em William

"A celebração com fogos e papel no meio dos jogadores foi uma irresponsabilidade, estava na cara que ia dar fogo. Condeno aqui porque deveria ter sido pensado algo melhor, fica o alerta para uma próxima oportunidade. Tem que ter segurança, o que não aconteceu hoje. Com medo tive que vir para o vestiário, não dei volta olímpica, não comemorei com a torcida. E sinto porque é o melhor momento do campeonato, a gente luta o ano todo por isso. Não quero ser mais do que ninguém e botar ordem, mas temos que ter segurança. A sorte do William é que a camisa o salvou, senão ele estaria queimado. Em vez de comemorar, estaríamos no hospital".

Reclamação por causa do assédio da imprensa

"Quero lamentar a desorganização após o jogo. Eu não tive a possibilidade de comemorar o título. Sei que todos da imprensa têm o direito de informar à população, mas é um momento único e deveríamos ter mais espaço para celebrar algo tão importante para a gente e para mim, pois voltei e fui campeão após tanta dificuldade. Mas tinha uma multidão em campo, não comemorei, levei várias microfonadas no rosto".

O homem mais feliz do mundo

"Estou até emocionado, milhões de pessoas estiveram ao meu lado e acreditaram em mim, a começar pelos jogadores. Um grupo fantástico que me recebeu de braços abertos e soube me integrar da melhor maneira possível. Quero agradecer também a todos que participaram da minha recuperação, desde os médicos em Paris que me operaram, ao doutor Runco que me hospedou, o Flamengo que também abriu as portas, o Bruno Mazziotti, meu fisioterapeuta e agora do Corinthians, e a todos que deram qualquer contribuição. Hoje é um dia especial, vamos comemorar, relembrar os momentos difíceis. Obrigado a vocês (imprensa) pela cobertura. Sou o homem mais feliz do mundo nesse momento".

Identificação com o povo brasileiro

"A minha satisfação interna é imensurável, eu sou realmente o homem mais feliz do mundo e posso apostar isso com qualquer um. Tenho que agradecer ao povo brasileiro que me adora tanto, me acolhe, que sofreu comigo, e retribuo com gols e títulos. Essa relação é fantástica. Parece papo de político, mas é realmente a sensação que tenho. O povo se identifica comigo, sou um brasileiro que sofre como todos eles, dou a volta por cima, caio, me levanto, e essa identificação marca muito, talvez até mais do que um título".

Torcida que não para, não para, não para...

"Foi maravilhoso, incrível, essa torcida não para, não para, não para de cantar. Nosso time deu a resposta que a torcida queria. Eu tenho certeza que o corintiano está dividindo comigo a felicidade. Vamos comemorar: todos os corintianos e brasileiros que gostam de mim e do Corinthians, mas com prudência porque quarta tem outra batalha (contra o Atlético-PR, pela Copa do Brasil), gostaríamos de ter uma semana inteira para celebrar, mas não temos, vamos em frente".

Força do Santos, e campeão sem hipocrisia

"Queria dar os parabéns ao Santos, um time digno de chegar à final. Nossa equipe, realmente sem hipocrisia, está de parabéns, foi merecedor do título, de cada pedacinho do troféu. Um grupo guerreiro, que usou a inteligência no momento certo, hoje principalmente, e conquistou um título invicto que desde 1940 não acontecia".

Vídeos

Melhores Momentos - Corinthians 1x1 Santos


Melhores momentos - Santos 1x3 Corinthias


Gol Ronaldo - Corinthians x Palmeiras


Corinthians 7x1 Santos


Tragetória Mundial 2000


Corinthians, Porquê somos Diferentes

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Vivendo do inferno ao céu, Felipe exalta defesa corinthiana.

Do céu ao inferno, o momento de atletas no futebol muda a cada partida. Com a camisa do Timão, Felipe conhece de perto esta gangorra e tratou de, após tantos momentos difíceis, exaltar a conquista corinthiana. A conquista do 26º título paulista, este de forma invicta, serve de redenção ao elenco.

“Não tem o que falar. A gente sabe que as críticas sempre vão acontecer, mas a gente trabalha sempre pra tentar o mínimo possível. A gente vai do céu ao inferno. Já cheguei ao inferno aqui e tenho certeza que vamos chegar novamente ao céu”, declarou o goleiro logo após o fim da partida contra o Santos.

Felipe lembrou ainda que é o quarto campeonato seguido que o Timão tem a melhor defesa e garante que “isso não é por acaso”. A respeito do empate no Pacaembu, disse que o que decidiu a competição foi o primeiro confronto. “A vitória na Vila foi muito importante porque nos deu uma boa vantagem. Se o jogo lá tivesse empatado, hoje teria sido muito mais difícil”.

Ronaldo: "Eu sou o homem mais feliz do mundo"

Desta vez com a camisa do Corinthians, Ronaldo, o homem mais feliz do mundo, mais uma vez, voltou. Nas graças da Fiel, o atacante tratou de declarar seu amor pela torcida alvinegra e definir a conquista do Paulistão como incrível. Ele lembrou os momentos difíceis enfrentados ao longo de sua carreira e apenas agradeceu ao apoio de todos.

“Eu sou o homem mais feliz do mundo e aposto isso com qualquer um. Minha satisfação é imensurável e tenho apenas que agradecer”, disse o camisa 9. “É um elenco que me recebeu de braços abertos e soube me integrar. Só posso agradecer aos médicos que me operaram, ao doutor Rundo, ao Flamengo que me abriu as portas, ao meu fisioterapeuta Bruno Mazziotti e ao povo brasileiro. O povo se identifica comigo e é uma coisa que me marca muito”.

O Fenômeno parabenizou também os santistas, derrotados na final, mas exaltou o Timão. “O Santos foi uma equipe digna de chegar á final. E a gente, sem nenhum hipocrisia, fez por merecer. Conquistamos um título invicto, foi maravilhoso”, disse o craque, impressionado com a Fiel. “Essa torcida não para, não para, não para de cantar e nosso time deu a resposta”.

Entretanto, ele cobrou cautela na hora de comemorar o título. No meio da semana, o Corinthians tem novo desafio pela frente. Pela Copa do Brasil, recebe o Atlético-PR e precisa vencer. Já sobre uma possível volta à seleção, o atacante acredita ser uma conseqüência natural do trabalho. “Primeiro tenho que pensar no Corinthians e, se vier seleção, ótimo. Sou um guerreiro brasileiro. [Seleção] vai ser a conseqüência de tudo isso”.

Elenco comemora, mas já pensa na copa do Brasil.

Campeão no domingo, mas com novo desafio na quarta-feira. Esta é a vida do elenco corinthiano após o empate por 1 a 1 com o Santos. Em meio às comemorações pela conquista estadual, foi esse o foco de Alessandro e Douglas ainda no gramado do Pacaembu.

“É uma conquista histórica, vai demorar muito para outro time ser campeão invicto, mas quarta-feira a gente sabe que tem que vencer. Comemora hoje, mas acorda amanha sabendo da responsabilidade”, afirmou o lateral direito. Já o meia convocou a Fiel para o confronto com o Atlético-PR, pela Copa do Brasil, no Pacaembu. “Espero que o torcedor compareça novamente porque é outra decisão”. Uma vitória simples classifica o Timão.

Reconhecendo a força da torcida, William falou da influência que os torcedores têm no time. “A torcida inflama a gente. É bom que comemore. O Corinthians entra sempre com a obrigação de ser competitivo e estamos caminhando para cada dia mais dar alegria a essa torcida”, disse o capitão minutos antes de levantar a taça. Ele ainda parabenizou os santistas, vice-campeões.

De fora da partida decisiva, mas ovacionado, Chicão também comemorava bastante. “Foi muito difícil não jogar pela fase que eu passo, mas independentemente disso, o importante foi o título invicto”, declarou o xerife da zaga corinthiana. Diego, seu substituto, disse que o troféu um sonho realizado. “Faz sete anos que estou aqui. Minha vida inteira eu vivi Corinthians e, graças a Deus, realizei meu sonho hoje, um título profissional”.

Num time com Ronaldo, Elias é escolhido pelo elenco o craque do Paulistão

Ele não faz tantos gols, não aparece tanto para a torcida e nem é tão badalado quanto Ronaldo. Mas, na opinião do próprio Fenômeno, é o craque do Campeonato Paulista . Um ano depois de perder o título do Estadual para o Palmeiras jogando pela Ponte Preta, o volante Elias se transformou em uma das peças fundamentais do esquema do técnico Mano Menezes no Corinthians , levou o caneco do torneio e entrou na mira do futebol europeu.

- Estou no melhor momento da minha vida no Corinthians. Só tenho crescido na minha carreira. Eu me sinto em casa no aqui, um clube que me acolheu muito bem. Agradeço muito todos os dias por essa oportunidade - afirmou.

Elias foi contratado depois do Paulistão do ano passado, quando se destacou na campanha que levou a Macaca ao vice-campeonato. Desembarcou no Parque São Jorge como mais uma aposta da diretoria para o futuro. Entretanto, poucas rodada depois, já assumia a condição de titular para não mais perder.

Em 2009, vem exercendo uma função essencial com Mano Menezes. Como segundo volante, virou uma das principais opções na saída para o ataque, já que Douglas ainda não rendeu o esperado na temporada. Foram quatro gols no Paulistão, o último deles na primeira semifinal contra o São Paulo, no Pacaembu.

- Tenho falado bem do Elias desde o ano passado. Ele se transformou em um dos maiores jogadores da equipe, qualificando muito o setor de meio-de-campo - afirmou Mano Menezes.

Curiosamente, Elias por muito pouco não está atuando no arquirrival Palmeiras. O jogador foi formado nas categorias de base do Verdão como atacante, mas acabou sendo dispensado quando o contrato acabou. Depois, foi para o Náutico, onde permaneceu apenas dois meses. No retorno à casa dos pais, em São Paulo, entrou em depressão por não ter outro clube.

- Quando saí do Náutico, não tinha time para jogar. Fiquei 2006 inteiro parado e entrei em depressão. Não cheguei a fazer um tratamento para me curar, mas dormia praticamente o dia todo e não tinha vontade de sair de casa. Ficava lá o tempo todo sem vontade de nada - revelou.

Depois de jogar por alguns times da várzea paulista, conseguiu um teste no São Bento, de Sorocaba, dirigido na ocasião pelo ex-volante colombiano Freddy Rincón, ídolo do Corinthians. Do ataque foi passado ao meio-de-campo e começou a se destacar. De lá, foi para o Juventus, onde conquistou a Copa Federação Paulista de Futebol, até chegar à Ponte Preta.

- Olhem como as coisas mudam. Há três anos, eu estava jogando na várzea - disse.

Com o bom rendimento no Corinthians, chamou a atenção do mercado europeu e até de Ronaldo, que o elegeu como o craque do Campeonato Paulista. No entanto, trará pouco dinheiro ao Corinthians. O clube só tem direito a 20% do lucro obtido em alguma negociação. Os direitos federativos são divididos em três partes: 20% do atleta, 30% da B&C Consultoria e 50% da Cedro Participações, fundo de investimentos criado pela Traffic.

- É uma honra ouvir isso do Ronaldo. Mas não penso em sair do Corinthians agora. Gostaria de disputar um Campeonato Brasileiro aqui. Depois disso, posso pensar em jogar na Europa. Mas, agora, quero ficar - projetou.

Após a conquista do título, diante do Santos, o presidente Andrés Sanches foi mais um a se render ao futebol do camisa 7.

- O nosso time tem vários ótimos jogadores, mas o Elias foi o grande destaque.

Com um título por ano desde 2005, Mano Menezes é o técnico da conquista invicta

Mano Menezes pode tirar o restante do ano para curtir as férias se quiser. Com a conquista do Campeonato Paulista invicto, neste domingo, sobre o Santos , o treinador do Corinthians mantém a ótima média de um título por ano desde 2005. Mas, desta vez, com um sabor especial. Além de provar a qualidade de uma equipe que vinha do título da Série B, o treinador precisou também conviver com adversidades fora do campo, como a noitada de Ronaldo em Presidente Prudente, que culminou na demissão do diretor-técnico Antônio Carlos Zago.

Campeão da seletiva da Copa Sul-Minas e da primeira fase do Gauchão de 2002 (os grandes clubes só entraram nas finais), Mano voltou a conquistar títulos em 2005, na dramática campanha do Grêmio na Série B. Em seguida, não parou mais. Foi bicampeão estadual em 2006 e 2007 e levantou a taça da Segundona do Brasileiro, em 2008, pelo Timão.

A temporada 2009 começou agitada. Ainda em dezembro, já com o caneco da Segundona assegurado, a diretoria anunciou a contratação do Fenômeno. Na ocasião, um reforço que misturava a empolgação da torcida com a dúvida sobre a recuperação depois de mais uma séria lesão no joelho esquerdo.

- Nenhum treinador de time brasileiro, em sã consciência, indicaria um atleta como o Ronaldo. Imaginei que fosse mais um sonho. Mas não tenha dúvidas sobre quem escala o Corinthians - afirmou o treinador, na ocasião, referindo-se a uma possível interferência do departamento de marketing na formação da equipe.

Em março, Ronaldo trouxe o primeiro problema para o treinador resolver. Na companhia do diretor-técnico Antônio Carlos Zago, o jogador abusou da farra em Presidente Prudente e só apareceu no hotel no qual a delegação estava concentrada às 5h (o horário limite era 23h). Para acabar com o caso, o treinador, nos bastidores, exigiu do presidente Andrés Sanches a demissão de Zago que, dias depois, anunciou que estava deixando o cargo.

O clima, aliás, já não andava dos melhores entre os dois. Antônio Carlos queria a compra dos direitos do atacante Herrera, destaque na Série B, e do zagueiro Domingos, do Santos. Mano preferia Souza, ex-Flamengo, e Jean, do Grêmio. O treinador venceu a queda-de-braço, trouxe os atletas, mas eles pouco renderam até agora.


- Não cabe ao treinador discutir a atitude dos dirigentes. Todo mundo é maduro o suficiente para saber quando as coisas devem continuar ou não - disse Mano.

Mano orienta o Fenômeno nos treinos

No mesmo mês, o treinador conseguiu vencer seu primeiro clássico pelo Alvinegro. Depois de empates contra São Paulo e Palmeiras, derrotou o Santos por 1 a 0, no Pacaembu. O resultado colocou o Timão mais próximo da classificação para a segunda fase mesmo não jogando o futebol esperando pela torcida.

- Foi muito bom vencer o clássico, foram pontos importantes que conquistamos, mas não mudou nada na minha vida. Eu acredito muito no trabalho, e não adianta nada a vitória sobre o Santos se não formos campeões - admitiu.

Nas semifinais, Mano travou um duelo particular com o amigo Muricy Ramalho, do São Paulo. Venceu os dois jogos, levou o Timão à decisão e não perdeu a chance de alfinetar o treinador adversário, que havia dito que Palmeiras e Tricolor seriam os finalistas. A atitude criou até um clima ruim entre eles, que se aproximaram bastante quando dirigiam Grêmio e Internacional.

- A bola de cristal dele (Muricy) rachou ontem (vitória do Santos) e quebrou - provocou.

Enfrentar o Santos nas finais parecia ser mais difícil do que foi. Na Vila Belmiro, Ronaldo deu espetáculo ao marcar dois golaços. No Pacaembu, mais um triunfo do Corinthians.

- No ano passado, me perguntavam muito se esse time não era de Série B e se teria condições de enfrentar times melhores - ironizou Mano.

(Comentário Pessoal: Tomara que não seja só um ! ! !)

André Santos marca e garante que agora Timão entra em todas para ser campeão

Não foi com vitória, mas o Corinthians garantiu o título invicto do Paulistão no empate por 1 a 1 com o Santos , neste domingo, no Pacaembu. E um jogador do Timão foi decisivo na final para que o time conseguisse a conquista sem perder nenhuma partida: André Santos. Foi dele o gol de empate. Após o título, o lateral dedicou a conquista à família e garantiu que a equipe entra agora para buscar todos os títulos que disputar.

- Todo mundo está de parabéns e a partir de hoje quando o Corinthians entrar em qualquer competição será para ser campeão. Está aí a prova em um dos mais difíceis campeonatos do pais - ressaltou o confiante campeão.

O lateral deixou tudo igual na partida com um gol aos 33 minutos do primeiro tempo, pouco depois de Kléber Pereira abrir o placar em cobrança de pênalti. Ele recebeu uma bola de Dentinho e livre, na área, chutou de bico para empatar a partida. Sorte a de André Santos que Dunga, que chegou atrasado ao Pacaembu, apareceu a tempo de ver o lance.

- Espero que eu possa estar bem em campo e ajudar a minha equipe. Claro que penso na seleção e é bom estar jogando com o Dunga aqui - ressaltou o lateral, ainda no intervalo.

André Santos deixou o campo no primeiro tempo sentindo dores na virilha, mas voltou normalmente para a segunda etapa. Desta vez, passou a jogar ajudando mais na marcação. Às vezes descia para tabelar com os atacantes, mas ajudou o time a manter o empate. Foi substituído por Wellington Saci aos 43 minutos. Terminou a partida campeão e com três gols no Paulistão. E, claro, observado pelo técnico da seleção...

Ronaldo passa em branco, mas é ovacionado pela Fiel

Protagonista da campanha corintiana na conquista do Paulistão, Ronaldo não foi tão decisivo na segunda partida da final, neste domingo, no Pacaembu. Nem precisava. Com os dois golaços que o Fenômeno marcou no primeiro jogo, na Vila Belmiro, domingo passado, pode-se dizer que ele deu o título ao Timão.


Neste domingo, Ronaldo travou um duelo com o zagueiro santista Domingos. No primeiro tempo, o santista levou a melhor na maioria dos lances. A ponto de Ronaldo se aproximar do banco e sugerir a Mano Menezes que colocasse Dentinho em cima do zagueiro. Dessa forma, ele poderia jogar do lado de Fabiano Eller, que é mais lento. A inversão foi feita, mas Ronaldo só levou perigo em uma de bola parada. Aos 37, cobrando falta que ele mesmo sofreu (de Domingos), o Fenômeno soltou a bomba. Fábio Costa defendeu.

O duelo com Domingos não foi apenas na bola. Os dois discutiram no primeiro tempo por causa de “fair play”. Ronaldo mandou a bola pela lateral porque esta estava murcha. Mas Domingos não devolveu a posse ao Timão na cobrança, gerando revolta do atacante.

No segundo tempo, Ronaldo apareceu mais, pois o Santos, precisando vencer por três gols de diferença, saiu para o jogo, deixando espaços. Logo aos três minutos, ele deu um chapéu em Madson. Tudo bem, não é uma grande façanha, dada a altura do santista. Mas dava para perceber que o camisa 9 estava mais solto.

Aos 11, o Fenômeno teve sua primeira grande chance para marcar. Alessandro cruzou da direita e achou o atacante no segundo pau. Ele subiu, mas no conseguiu acertar em cheio e perdeu o gol. No minuto seguinte, Ronaldo recebeu livre na área, dominou, e tentou encobrir Fábio Costa com uma cavadinha. A bola ficou fácil para o goleiro defender.

O duelo Ronaldo e Domingos seguia quente o santista apelava para as faltas. Tanto que acabou expulso por duas pegadas no corintiano. Na primeira, aos 18, o zagueiro levou o amarelo. Depois aos 38, Domingos fez falta por trás em Ronaldo e acabou levando o vermelho.

Ao final, mesmo sem gol, o Fenômeno foi ovacionado pela Fiel, que cantou o seu nome, agradecendo pelo título.

Timão empata com o Peixe, termina invicto e é campeão paulista pela 26ª vez

O que já estava praticamente certo desde o fim de semana passado foi confirmado neste domingo. Após ter construído uma larga vantagem com a vitória de 3 a 1 na Vila Belmiro, o Corinthians poderia até perder por dois gols de diferença que ainda seria campeão. O Santos ameaçou, é verdade, saiu na frente do placar, mas não teve forças para ir além disso. O empate de 1 a 1 – gols de Kléber Pereira (pênalti) e André Santos – deu ao Timão o seu 26º título do Campeonato Paulista.

O Santos, precisando de três gols, partiu com tudo para cima. E assustou o Corinthians. A torcida do Timão, em esmagadora maioria no estádio do Pacaembu, chegou a ter momentos de aflição, apesar da enorme vantagem conseguida no primeiro jogo. Logo com 1 minuto de jogo, a bola caiu nos pés de Kléber Pereira, dentro da área. O atacante finalizou, mas foi travado pelo lateral Alessandro, que se atirou na sua frente.

O Corinthians, encurralado no seu campo, tinha dificuldade de conseguir ir ao ataque. A bola não saía do domínio santista e as investidas contra o gol de Felipe não paravam: de todos os lados, com quase todos os meias e atacantes. Aos 13, Paulo Henrique pegou rebote de escanteio, rolou para Germano que cruzou. Dois jogadores do Peixe estavam só esperando para concluir quando Alessandro, de novo, afastou o perigo logo depois de uma defesa parcial de Felipe.

O goleiro corintiano voltou a trabalhar aos 14 e aos 17. O Santos era pressão total. Aos 18, Madson invadiu a área e cruzou forte. Kléber Pereira se atirou no lance, tentando alcançar, mas chegou alguns centímetros atrasado. A pequena torcida do Peixe se animava. Aos 22, Kléber acertou a finalização, mas Felipe defendeu. Quatro minutos depois, eles se encontrariam novamente. Lançado, o atacante tentou driblar o arqueiro e foi derrubado: pênalti.

Neste instante, o técnico da seleção brasileira, Dunga, que era esperado desde o início do jogo, acabava de chegar à tribuna de honra da Prefeitura. E ele teve tempo de assistir Kléber Pereira ajeitar a bola, tomar distancia, correr e estufar a rede do Timão aos 28 minutos.

O 1 a 0 no placar – aliado ao melhor futebol – fez alguns torcedores do Peixe buscarem forças no passado. Em 1995, quando precisou fazer uma diferença de três gols no Fluminense para ir à decisão do Campeonato Brasileiro, aquele time liderado por Giovanni começou a goleada de 5 a 2 exatamente num pênalti cobrado pelo então camisa 10 no mesmo gol do portão de entrada do Pacaembu. Será?

Só esqueceram de avisar André Santos. Numa das primeiras investidas do Corinthians, aos 33, Dentinho rolou para o lateral-esquerdo que encheu o pé e empatou o jogo. A Fiel, que parecia assustada, respirou aliviada.

Durante o primeiro tempo, o árbitro Sálvio Spinola Fagundes Filho teve de pedir para a bola ser trocada duas vezes. Na primeira, ele interrompeu um ataque do Timão. Na segunda, acabou gerando um princípio de confusão entre Domingos e Ronaldo. O Fenômeno tocou a bola para fora, para a substituição, e queria que o Santos devolvesse. Como não houve a devolução, ele reclamou. Na saída para o intervalo, o zagueiro e o atacante bateram boca. Domingos reclamou de ter sido chamado de “mau-caráter” e foi cobrar o Fenômeno:

- Pode falar comigo, mas não encosta em mim - esquivou-se Ronaldo.

Na volta do intervalo, Kléber Pereira e Neymar subiram dos vestiários com chuteiras novas. Mas a pontaria não melhorou e os dois atacantes continuaram devendo. O camisa 9 perdeu mais um gol, quando demorou para concluir e deixou Alessandro o desarmar. O camisa 7, completamente apagado na decisão, acabaria substituído aos 15 minutos por Maikon Leite.

O Santos não conseguiu repetir o ritmo do começo do jogo. A posse de bola, que antes era só do Peixe, já ficava mais dividida. Com ela nos pés, os jogadores do Timão arrancavam gritos de olé das arquibancadas. Aos poucos, os torcedores começavam a acreditar que o título já tinha dono. Aos 34, os primeiros gritos de “é campeão”.

As alterações de Vagner Mancini não surtiram efeito. Além de Molina, entraram Róbson e Molina. O Peixe estava entregue. Nos minutos finais, praticamente nenhuma chance de gol dos dois lados. O Corinthians tocava a bola, fazia o tempo passar e irritava o adversário. Domingos, que de tanto bater já poderia ter sido expulso, foi receber o cartão vermelho nos minutos finais, ao derrubar Ronaldo.

Em reconhecimento, a torcida do Santos gritava o nome do time. E a do Corinthians explodia com gritos de “é festa, é festa na favela” e “ôôô, o Coringão voltou”. Há 37 anos que o Paulistão não tinha um campeão invicto. Desde 1972, quando o Palmeiras levantou a taça sem perder um jogo, ninguém mais tinha conseguido isso. O Timão conseguiu - e pela quinta vez em sua história: 23 partidas, 13 vitórias e dez empates.

Gustavo Tilio/GLOBOESPORTE.COM

Palco pega fogo durante entrega de taça para o Corinthians Capitão William, presidente Sanchez e ministro estavam perto das chamas William 'pega fogo'

Capitão William, presidente Sanchez e ministro estavam perto das chamas

Uma cena inusitada assustou a todos no Pacaembu, logo após a final entre Corinthians e Santos. Na cerimônia de premiação dos campeões paulista, com os jogadores do Timão prontos para receber a taça, parte do palco se incendiou. As chamas chegaram a atingir a camisa do zagueiro William, capitão do time. O presidente Andrés Sanchez e o ministro do Esporte, Orlando Silva, também estavam próximos.

- Pelo amor de Deus, pegou fogo nas costas do William, nos papéis. Não só o ministro tomou susto, como eu, o secretário (Walter Feldmann, secretário dos esportes de São Paulo), o estádio inteiro – disse Sanchez, logo após o susto.

- Foi só um susto. E tomara que a torcida não exagere nas comemorações para que amanhã (segunda) só tenhamos coisas boas para ver – ponderou o capitão William.

Havia muitos papéis picados no local, mas as chamas logo cessaram. Ninguém ficou ferido.

William 'pega fogo' na hora de levantar o troféu (Foto: Reginaldo Castro)